Seremos a última geração em contato com a natureza?

Imagem: Huffington Post

Antes de começar a ler este texto, responda sem pestanejar: em qual fase a lua está hoje? Se você não viu na noite anterior, nem costuma reparar nesse tipo de coisa, não fique tranquilo! Mais do que os muitos prédios a nos impedir uma visão dos céus, é o desinteresse moderno pelo mundo natural que faz com que não saibamos responder a essa ou a muitas outras perguntas semelhantes. No livro The Last Child in the Woods (“A Última Criança em Contato com a Natureza”, ainda sem tradução em português), o autor Richard Louv chama a atenção para o fato de que nunca houve uma geração tão desconectada da natureza como a atual (e ao mesmo tempo tão conectada na internet), o que certamente está na raiz de muitos problemas atuais: obesidade, transtorno de déficit de atenção (TDA), hiperatividade e depressão.

Contudo, além desse aspecto intrinsecamente relacionado à saúde, há outro que chama minha atenção. Como esta geração poderá ser capaz de entender uma boa parte dos ensinamentos de Jesus, se possui pouco ou nenhum contato com o mundo natural? Como entender o “olhai os lírios do campo”, “um semeador saiu a semear” ou “as raposas têm seus covis”? Será que tais ensinamentos ficaram defasados devido ao êxodo rural? Acredito que não. Os ensinamentos de Jesus são atemporais. Então, o que fazer? Deveriam as atuais gerações urbanas realizar um movimento de retorno ao campo? Seria isso viável hoje em dia? Parece que não.

Imagem: Good House Keeping

Diante desse problema de difícil solução, proponho como paliativo (e sei que é apenas paliativo) que se traga a natureza para perto ou mesmo para dentro de casa. Recomendo livros, revistas e filmes sobre a natureza. Com o tempo você irá se entusiasmando e poderá pensar até em um animal de estimação. Tenha plantas dentro de casa. Mais do que isso, se possível, tenha um jardim! É comum darmos animais de presente para as crianças. Mas e plantas? Não é lá tão comum. Lembro-me de que tempos atrás levei uma planta carnívora (na verdade, insetívora) de presente de aniversário para a filha de uma amiga. Foi um sucesso estupendo, inclusive com as demais crianças. Quase mataram de congestão a pobre plantinha, de tantos insetos que lhe atiraram! Se possível, mude-se para um local mais “verde”. Perdemos as casas com quintais repletos de árvores e agora pagamos caro para morar em condomínio com um mínimo delas. Viagens de férias para hotéis-fazenda ou ambientes naturais também são uma boa pedida.

Brasileiros viajam muito de férias para o litoral, pensando nas praias. Porém, poucos viajam para o interior do Brasil. Quantos conhecem, por exemplo, o Pantanal ou a Amazônia? Nossos parques nacionais ficam, literalmente, às moscas. O Parque Nacional do Grand Canyon, nos Estados Unidos, recebe quase 5 milhões de visitantes por ano. O nosso mais visitado é o Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu, com apenas 500 mil visitantes por ano!

Há quem diga que a natureza foi o primeiro evangelho usado por Deus para se revelar ao homem caído: “Os céus declaram a grandeza de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). Você já olhou hoje a flor mais próxima de você? Pode ser que Jesus esteja querendo dizer-lhe alguma coisa por meio dela!

Por Marcio Luiz de Oliveira (Via Revista Ultimato) – Pós-Doutorad0 (The University of Kansas, KU, Estados Unidos), é graduado em ciências biológicas e especialista em entomologia. Atualmente é pesquisador, curador da Coleção de Invertebrados e professor no programa de pós-graduação em entomologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

 

 

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